Gleison Coelho
Gleison Coelho é saxofonista, arranjador e músico baiano, radicado em Salvador, cuja trajetória se destaca pela versatilidade e pelo trânsito entre a música popular, o jazz, a música instrumental e as tradições afro-brasileiras.
Natural de Aramari, no interior da Bahia, Gleison mudou-se para Salvador ainda jovem e construiu sua formação musical na cidade. Em 2014, integrou o Ijesax Quarteto de Saxofones e Percussão, formado por estudantes do curso de saxofone da Escola de Música da UFBA. O grupo desenvolvia uma pesquisa que aproximava música popular e erudita, trabalhando repertórios de compositores como Villa-Lobos, Moacir Santos, Astor Piazzolla e Debussy e incorporando elementos rítmicos da música brasileira.
Sua atuação, entretanto, ultrapassa o universo acadêmico. Gleison tornou-se um músico bastante presente na cena instrumental de Salvador, participando de projetos que exploram jazz, música brasileira, ritmos afro-baianos e música latino-americana.
Um dos trabalhos de destaque de sua trajetória é a participação na Orquestra Afrosinfônica, dirigida pelo maestro e compositor Ubiratan Marques. Gleison tocou saxofone alto em gravações da orquestra para o projeto O Futuro Não Demora, do BaianaSystem, incluindo as faixas “Água” e “Fogo”.
Gleison também integrou a IFÁ, banda de música pan-africana inspirada pela tradição dos blocos afro de Salvador, pelo afrobeat, pela música jamaicana e pela obra de Letieres Leite e da Orkestra Rumpilezz. No grupo, atua com saxofones alto e barítono e flauta, participando de uma proposta essencialmente instrumental que coloca os ritmos de matriz africana no centro da criação musical.
Outra experiência importante é o Sonora Amaralina, orquestra de cumbia formada em Salvador. Gleison integra o grupo no sax tenor, ao lado de músicos de diferentes nacionalidades e formações. A banda pesquisa a música instrumental latino-americana e desenvolve releituras de compositores clássicos da cumbia, além de criações próprias influenciadas pela sonoridade de Salvador.
Essa experiência latino-americana também revela uma característica marcante de Gleison: sua capacidade de compreender diferentes tradições musicais sem perder a identidade baiana. Em entrevista sobre o Sonora Amaralina, o próprio músico destacou que, mesmo trabalhando com cumbia, a música inevitavelmente ganha características da Bahia.
Como músico de estúdio e instrumentista convidado, Gleison também participou de diferentes projetos da música brasileira. Entre seus trabalhos está a gravação de “Água” e “Fogo”, do BaianaSystem, ao lado da Orquestra Afrosinfônica, além de colaborações com artistas da nova música baiana. Em 2023, por exemplo, assinou, junto com Issa, o arranjo de saxofone e flauta para a canção “Destino”, de Sued Nunes, cuja sonoridade dialoga diretamente com o universo da Orkestra Rumpilezz e com os ritmos do candomblé.
Sua atuação também inclui projetos ligados ao Centro de Formação em Artes da Funceb, onde participou de apresentações ao lado de alunos e professores, interpretando repertórios que iam de Dizzy Gillespie e Tom Jobim a Hermeto Pascoal, Milton Nascimento, Moacir Santos e Villa-Lobos.