Jair Rocha

Jair Rocha é baterista, percussionista, cantor e compositor baiano, com uma trajetória construída na cena musical de Salvador e marcada especialmente pelo reggae, pela música negra e por ritmos afro-brasileiros. Sua carreira reúne atuação como instrumentista, compositor e produtor, passando por bandas autorais, projetos de música popular e trabalhos voltados à pesquisa e à criação coletiva.

Um dos capítulos mais importantes de sua trajetória é o Manospreto, banda formada pelos irmãos Sergio, Marcelo e Jair Rocha. No grupo, Jair assumia a bateria e também participava dos vocais. O Manospreto desenvolveu uma sonoridade autoral descrita como “ritmo afro-urbano”, combinando reggae, rock e diferentes influências da música negra. 

O trabalho com o Manospreto levou Jair a palcos de diversas cidades brasileiras e a dividir apresentações com importantes nomes do reggae internacional, como SOJA, Groundation, Don Carlos e Max Romeo, além de artistas brasileiros como Natiruts, Mato Seco e Leões de Israel. Em 2011, a banda realizou uma turnê nacional que passou por cidades como Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, Fortaleza e Belo Horizonte.

Na cena de Salvador, Jair também integrou outros projetos ligados à música negra e ao reggae. Entre eles estão a Seguidores Roots, banda de reggae, e trabalhos com o cantor Victor Calmon, ligado ao funk. Em entrevista ao Correio, Jair destacou a importância da produção cultural do Cabula e a diversidade de gêneros presentes na região.

Sua experiência também se estendeu ao DNA Urbano, projeto que reuniu músicos de diferentes origens e linguagens em uma formação que passava pelo reggae, afrobeat, música brasileira e outras vertentes da música negra. Jair participou do grupo ao lado de Sergio e Marcelo Rocha, Tonynho dos Santos, Genaldo Novaes e outros músicos da cena soteropolitana. 

Jair Rocha e a Banda Terráquea

Na Banda Terráquea, Jair ocupa a bateria e contribui para uma das características fundamentais do grupo: o encontro entre o blues, soul e Rhythm & Blues norte-americanos e as tradições musicais afro-brasileiras.

Sua experiência com reggae e ritmos de matriz africana acrescenta uma dimensão particularmente importante à sonoridade da Terráquea. A bateria funciona como elo entre a linguagem do blues e a riqueza rítmica da música baiana, criando uma base ao mesmo tempo firme, dançante e aberta à improvisação.

Jair já integrou diferentes formações da Terráquea e aparece em apresentações do projeto desde pelo menos 2019, quando a banda realizou o espetáculo “Água Vida Minha Vida”, dentro de uma iniciativa que combinava música e educação ambiental. Na ocasião, Jair foi listado como baterista da formação.

Música autoral

Paralelamente ao trabalho com bandas, Jair vem desenvolvendo uma trajetória autoral. Em 2025, apresentou no Teatro Gamboa o espetáculo Pra Flutuar, ao lado de Isbela e Duda dos Anjos. O trio soteropolitano reúne canções autorais e explora ritmos brasileiros e africanos como samba, reggae, ijexá e zouk. Jair participa como baterista e também como cantor, trazendo suas próprias composições para o repertório. 

O projeto evidencia uma faceta mais íntima de sua produção: além de sustentar a música com as baquetas, Jair utiliza a voz e a composição para abordar temas relacionados à vida cotidiana, à natureza, às relações humanas e às questões sociais. O repertório de Pra Flutuar foi descrito como uma combinação de crítica social, celebração da natureza e valorização das pequenas coisas.

Em 2026, Jair também aparece no projeto “Pele d’Água”, apresentado no Teatro Gamboa, ao lado da cantora Isbela e do baixista Ju Paim. A proposta reforça sua ligação com a música autoral e com uma estética que aproxima música, natureza e cultura afro-brasileira. 

Outra frente importante de sua atuação recente é o projeto “Na Seiva da Voz”, de Ekedy Sinha. A iniciativa pesquisa e recria contemporaneamente cânticos públicos relacionados ao orixá Ossain. Jair participa como músico ao lado de Genaldo Novaes, sob direção musical de Tonynho dos Santos. O projeto já circulou por Salvador, Recife e São Paulo, incluindo apresentações no Theatro Municipal de São Paulo e em espaços ligados à tradição afro-brasileira.

Um baterista de raízes afro-urbanas
A trajetória de Jair Rocha é marcada pelo trânsito entre diferentes universos musicais. Do reggae ao rock, do funk à música brasileira, das experiências com bandas autorais à pesquisa de ritmos afro-brasileiros, sua bateria tem como característica a força rítmica e a abertura para diferentes linguagens.

Na Banda Terráquea, essa experiência ganha um novo significado: Jair ajuda a construir a ponte entre o blues e o R&B de Lon Bové e as tradições musicais da Bahia. Em seus trabalhos autorais, por outro lado, aprofunda uma linguagem própria, na qual bateria, voz e composição se encontram.